Igreja de Stª Catarina ou dos Paulistas


Objecto da intervenção:

- Tecto altar-mor. Pintura em trompe l’oeil da autoria de António Pimenta Rolim, 1730.
- Paredes laterais altar-mor. Revestimento em talha doirada da autoria de Santos Pacheco, 1730.
- Pinturas a óleo sobre tela da autoria de André Gonçalves, 1731

----- Tecto altar-mor -----

Descrição:
A Igreja dos Paulistas foi um dos edifícios atingidos pelo Terramoto de 1755, pelo que não se conhecem ao certo as características plásticas, sobretudo no que diz respeito ao cromatismo, da decoração original, devida a António Pimenta Rolim, do tecto da sua capela-mor. Para além do estrago causado em 1755, sucederam-lhe intervenções de duas mãos em 1770 (Simão Baptista e Jerónimo de Barros), duas outras intervenções, em 1845, (S. Machado) e em 1930, (B. Casaca), assinadas pelos restauradores sobre a obra.

Esta pintura pode ser definida em dois planos, que concorrem para criar a ilusão de perspectiva: o plano da cercadura, em que arquitecturas fingidas se articulam entre si aproveitando todo o espaço limítrofe da abóbada de arestas, e o plano central, no qual estas arquitecturas desembocam, e que é o espaço onde o olhar se “afunda”, deixando de haver os limites terrenos e passando a ser os limites celestes. Povoando as arquitecturas existem figuras humanas, também elas esboçadas em perspectiva, cujos jogos de claro-escuro evidenciam.

Tratamento:
Fixação da camada cromática
Consolidação do suporte mural
Limpeza e remoção de intervenções cromáticas
integração Pictórica
Protecção final

----- Talha dourada -----

Descrição:
O retábulo dos Paulistas, talhado e dourado entre 1727 e 1730, é um reconhecido exemplo do estilo a que Reynaldo dos Santos chamou de "joanino", por tão arreigado às transformações plásticas decorrentes da situação económica e cultural do reinado de D. João V.
Nas paredes laterais da capela-mor, um friso de cada lado apresenta figuras de anjos que seguram cartelas com os bustos de Jesus, Santíssima Virgem e símbolos do Santíssimo Sacramento alternando com querubins nus.
Acima de cada um desses frisos, foram entalhadas molduras em baixo-relevo com festões, rosas, margaridas, acantos e fitas. Tal como acontece junto ao altar, também nas paredes laterais algumas cartelas fazem a ligação com o chão e a zona do altar-mor. As portas são coroadas com anjos e as janelas alternam com as pinturas sobre tela, num plano, tendo por cima um plano de friso com anjos e por baixo o plano do friso decorativo que coroa o friso principal com as representações de Cristo, Maria e símbolos do Espírito Santo.

Tratamento:
Limpeza
Desinfestação
Fixação da folha de ouro e preparação

----- Pinturas a óleo -----

Descrição:
- “Cristo é alimentado por anjos” e “Moisés faz brotar a água da rocha”
- “O milagre da Multiplicação dos pães” e “A recolha do maná”
- “Os discípulos de Emaús” e “A perseguição do faraó”

Tratamento (pintura a óleo):
Fixação geral da camada pictórica
Limpeza da camada pictórica
Preenchimento e nivelamento de massas
Integração cromática
Aplicação verniz de retoque
Integração final

Dono da obra
Câmara Municipal de Lisboa
 
Local
Lisboa, Portugal