Igreja de São Vicente de Fora, Lisboa


Objecto da Intervenção:
Pinturas que forram o zimbório da Igreja de S. Vicente de Fora, Lisboa.

Descrição:
Pintadas a têmpera sobre tela (séc. XIX), as pinturas que forram o interior do zimbório da Igreja de São Vicente de Fora, em Lisboa, visam simular, mediante a técnica de trompe l’oeil, estuques decorativos com frisos bastante simples e um medalhão central com o escudo de Portugal. O conjunto é formado por uma tela octogonal central (640cm diâmetro), oito telas trapezoidais que enquadram as janelas (450 x 550 cm) e 16 pinturas (200 x 125 cm) na zona onde a cúpula assenta nas paredes.

As telas encontravam-se num estado de degradação avançado, com os suportes rasgados, apodrecidos, e ondulados sob o peso do entulho que caia do telhado e a entrada de águas de infiltração.
A superfície pictórica, pintada a têmpera, encontrava-se em total destacamento em relação ao suporte, com uma coesão extremamente frágil dos seus estratos, e fortemente manchada pela penetração de águas de infiltração que transportaram consigo todo o tipo de sujidade, bem como manchas de ataques fúngicos e manchas verdes resultantes de um antifúngico aplicado na estrutura do zimbório para tratamento das madeiras.

A complexidade na abordagem de pinturas destas dimensões e neste estado de degradação foi exponencialmente acrescida pela remoção das telas e aplicação de um facing de protecção efectuada de forma incorrecta por outra firma. O adesivo utilizado para fazer este facing era demasiado viscoso e com pouco poder de adesão.  Assim, não só não fez a fixação da camada pictórica, como criou um filme à superfície que dificultou posteriores fixações e levou à colagem da camada pictórica ao papel e não ao suporte de tela original.

Tratamento:
O tratamento consistiu na fixação da camada pictórica; tratamento dos suportes (limpeza, união de rasgões e lacunas, reforço com uma nova tela); eliminação do facing de protecção; aplicação de massas, integração e aplicação de uma protecção.  No final as telas foram recolocadas no zimbório e fixas com tachas em aço inoxidável.

Dono da obra
IPPAR
 
Local
Lisboa, Portugal